Dar acesso de endpoint para uma IA é um risco. Deixar uma extensão qualquer controlar essa IA pelas suas costas é pura negligência. O pesquisador Gal Weizman, da Forever Security, provou isso em 16 de setembro de 2026. Ele revelou o BragJack. É uma vulnerabilidade bizarra que atinge assistentes nativos em cinco plataformas. A lista inclui Gemini Live no Chrome, Copilot no Edge, Perplexity Comet, Opera Neon e a extensão do Claude no Chrome.
A falha não é o clássico "prompt injection". É um "prompt-forcing". A extensão maliciosa escreve o comando inteiro. Você, no seu Chrome, não vê absolutamente nada. A IA recebe a ordem e executa.
O ataque se aproveita de scripts de conteúdo (content scripts). Muitas extensões comuns usam isso para ler ou alterar a página atual. O erro ocorreu porque os navegadores não bloquearam esses scripts nas páginas internas das IAs. A extensão ganhou passe livre para interagir com o assistente.
No Google Chrome, o buraco ganhou o código CVE-2026-0628. A nota de severidade da CISA foi alta: 8.8. A brecha foi apelidada de GlicJack. Uma extensão consegue forçar o Gemini Live a ligar a sua câmera, abrir o microfone, ler arquivos ou tirar screenshots. O patch de correção saiu no Chrome versão 143.0.7499.192.
O Microsoft Edge sofreu com o CVE-2026-55945. A nota ficou em 4.2. O ataque envolvia uma corrida de execução (race condition) na página de marketing do Copilot. A Microsoft lançou a correção no Edge 150.0.4078.48 no dia 2 de julho de 2026.
O pior cenário foi o Perplexity Comet. A equipe esqueceu um domínio de testes ativo (testing.perplexity.com). A falha entregou acesso aos arquivos locais, histórico de conversas e controle total do agente.
O Opera Neon facilitou as coisas. O domínio oficial da Opera não impedia a execução dos scripts. Já o Claude in Chrome teve uma severidade média. O ataque ocorreu de extensão contra extensão.
O pesquisador embolsou cerca de US$ 20.500 pelas descobertas (bounties). O Google pagou 7 mil. A Perplexity deu mais 7 mil. A Microsoft liberou 5 mil. Opera pagou 900 e a Anthropic fechou com 600 dólares.

Forever Security — capa da pesquisa BragJack (crédito da fonte).
O BragJack é uma demonstração de pesquisa. Não existe um ataque em massa rodando na rua hoje. O invasor precisa que você tenha uma extensão comprometida já instalada no computador.
O alerta que fica é estrutural. IAs ganharam poder de mexer nos seus arquivos e periféricos. Extensões de navegador continuam baratas de fazer e fáceis de instalar. Essa soma gerou uma superfície de ataque inteiramente nova.
Overrated
confiar cegamente em extensões
Underrated
manter o navegador enxuto e atualizado

The Hacker News — ilustração da cobertura (16/09/2026).

Estadão / TecMundo — foto de capa da repercussão em PT.
A solução exige um novo hábito. Menos lixo no navegador e atualização em dia.
Checklist
- Atualize o Chrome para a versão 143.0.7499.192 ou superior.
- Confirme se o Edge passou da versão 150.0.4078.48.
- Apague extensões que não servem para nada.
Uma extensão obscura nunca deve ter o mesmo nível de permissão que o assistente do seu navegador.
Fontes
- https://forever.security/blog/bragjack-hijacking-5-browsers-via-built-in-ai-assistants/
- https://thehackernews.com/2026/09/one-extension-could-hijack-ai.html
- https://nvd.nist.gov/vuln/detail/CVE-2026-0628
- https://www.estadao.com.br/tecmundo/ciberseguranca/extensoes-do-chrome-e-edge-abrem-brecha-para-roubar-controle-de-ias/
The Zero.